Os desafios do Home-Office

Uau! em 2015 iniciei a escrita deste post e apenas agora, ao fim de 2017 é que o finalizo e coloco no ar. Na época, eu estava trabalhando na empresa Redsuns Tecnologia, que encerrou as atividades em Abril de 2015, com isso, foram 6 meses de home-office até eu aceitar uma proposta de trabalho em uma empresa de conhecidos meus, também com desenvolvimento.

A imagem mostra a última vez que eu havia redigido algo neste post. Faz um tempinho, não?!

 

Cenários

2015 – eu vinha de uma empresa que encerrou suas atividades e com isso fiquei responsável por todos os projetos que estavam por finalizar, eram mais de 15 projetos no total, o que me proporcionou uma renda garantida durante pouco mais de 4 meses. Os 2 últimos meses que trabalhei no modo home-office naquele ano foram com projetos que eu mesmo negociei, eu era o comercial, gerente de projeto, “designer”, front-end e back-end. Não sei por que, mas isso não deu certo […], óbvio né? Hoje, em 2017, sim, naquela época não.

2017 – Estou desde o mês de Agosto no sistema home-office e, desta vez as dificuldades são outras, por isso em alguns pontos deste post eu farei distinção entre os períodos. Mas deixa eu contar como entrei nessa novamente.

 

The road so far

Quando aceitei o cargo de coordenador de desenvolvimento na 4 Itil Tecnologia, eu me senti aliviado pois já estava em casa por 6 meses, os projetos garantidos já haviam sido entregues, o dinheiro consequentemente não mais vinha tão facilmente mas as contas continuavam. Isso me fez prospectar novos clientes. Até aí tudo bem, se não fosse um problema: na época a minha comunicação era terrível! Hoje ainda não é grandes coisas, mas garanto que me comunico de forma bem mais  precisa que naquela época. Ao longo de quase 2 meses aquela rotina de prospectar, criar propostas, negociar, desenvolver e cobrar me desgastaram muito, sem contar que a minha opinião era unâneme, não havia ninguém ao meu lado pra discordar, pra discutir, pra me mostrar que eu estava fazendo algo errado, simplesmente, o que eu pensava ou fazia era regra. Vendo a oportunidade de montar e gerenciar um time de desenvolvimento, aprender e ensinar, eu aceitei a proposta destes meus conhecidos. Lá liderei o time de desenvolvimento, tive meus altos e baixos e desliguei-me em Junho deste ano (2017).

Após sair da 4 Itil Tecnologia, fui para a LojasKD, à convite do Flavio Silveira. Aprendi coisa pra caramba, errei bastante e espero ter contribuído com algo para o time de desenvolvimento também. Dois meses depois pedi para sair devido à questões pessoais e desde então venho trabalhando em casa novamente.

 

Experiência

Após alguns meses trabalhando no sistema home-office consigo listar algumas das principais dificuldades desta forma de trabalho e como venho tentando as contornar. Faço isso na intenção de demonstrar a experiência que venho tendo ao trabalhar desta forma para quem sabe, inspirar mais pessoas.

 

Horário

Engana-se quem pensa que você faz o seu horário e tá tudo uma maravilha. Eu sou casado e tenho um filho, logo, meus horários não dependem só de mim, tem que levar e buscar ele na escolinha e mais milhares de tarefas que somente quem é pai sabe como é. Sem contar que a ideia de trabalhar em horários alternativos (tarde da noite e madrugada, por exemplo) nem sempre funcionam pois os seus clientes estão disponíveis e/ou entram em contato com você durante o horário comercial, não tem saída, se não trabalhando, ao menos disponível aos seus clientes, tem que ser em horário comercial. Além disso é comum não só comigo, mas sim com todo mundo que trabalha em casa, trabalhar muito mais do que se estivesse em uma empresa. Nas duas últimas empresas que passei, a carga horária diária estava entre 8 e 9h, em casa atualmente estou chegando à marca de 12h (uau!) ah, e sem tempo de locomoção, são 12h de trabalho mesmo. É eu sei, isso tá acabando comigo, vou procurar maneirar.

Problemas: Horários indefinidos, períodos de trabalho fragmentados (trabalho X horas pela manhã, X pela tarde, noite e um monte de madrugada), jornada muito mais esticada que dentro de uma empresa, noites divididas entre trabalho e cuidar do filho, uma vez que a mãe trabalha nos períodos da tarde e noite.

Como venho contornando: Até agora não fiz nada, sendo bem sincero, ainda não sobrou tempo pra planejar isso.

O que pretendo fazer: Organizar a rotina para estar o máximo de tempo trabalhando em horário comercial e voltar a ter noites de descanso.

Disciplina

2015 – Por estar com projetos garantidos (e consequentemente, grana também) eu relaxava demais. Na época eu havia comprado uns jogos novos pro meu Xbox 360 e estava os explorando. Isso fez com que durante muitos dias eu praticamente nem trabalhasse, perdi as contas de quantos dias eu passei jogando, assistindo filmes ou mesmo dormindo no sofá, visto que meu escritório ficava no cômodo ao lado da sala.

Problemas: Extrema falta de disciplina. Não sei se era por as coisas estarem seguras demais ou por folga mesmo, talvez ambos.

Como contornei: Não contornei, fiquei pior a cada dia.

O que pretendo (pretendia) fazer: Buscar ser mais responsável

2017 – Hoje o cenário é bem diferente de 2015. Video game somente nas horas em que não estou trabalhando mesmo, a TV hoje é do pequeno: dá-lhe Bita (quem é pai entenderá). O “problema” real hoje é: sou pai. Isso me causa interrupções constantes, às vezes estou no meio de um raciocínio e tenho de parar para levar o pequeno pra escolinha. Outras vezes a mãe está ocupada com algo que não pode largar e eu paro o que estou fazendo para dar atenção ao bebê… e assim por diante. Ah, e ainda tem o cachorro, que de tempos em tempos tenho de levar pra fora pra fazer as necessidades pois em 2015 ele ainda nem existia em nossas vidas além de que morávamos em um sobrado com um pátio exclusivo. Hoje estamos em um apartamento e se não o levo pra fora ele fica na porta “pedindo”.

Problemas: Os problemas que identifico são todos que estão fora do meu controle: interrupções por causa do bebê, do cachorro e algumas vezes – tá, vááárias vezes – da esposa (espero que ela não leia isso he he he)

Como venho contornando: Diálogo e fone de ouvido. Para minha esposa eu explico que estou em casa, mas à trabalho. Deixo claro que desenvolvimento é um processo criativo e que requer muita concentração. Muitas vezes quando o bebê chora peço pra minha esposa o atender, mesmo que ela esteja fazendo algo importante também, apenas para que eu não quebre o raciocínio. E pra me concentrar, meu bom e velho fone de ouvido com música bem alta.

O que pretendo fazer: Infelizmente não tenho muito espaço e meu escritório é no mesmo ambiente da sala então o negócio vai ser continuar deixando claro minha necessidade de trabalhar e pedir colaboração em caso de volume da TV muito alto ou interrupções. Minha esposa está entendendo aos poucos mas compreendo que é muito difícil pra ela ver uma pessoa ali “à disposição” e não poder contar com ela pros afazeres de casa naquele exato momento.

Redes Sociais

2015 – Meu livro havia sido lançado há poucos meses e eu estava presente em todo lugar, pelo menos do mundo virtual: Facebook, twitter, fóruns, hangouts e onde mais me chamassem. Eu definitivamente passava mais tempo nas redes sociais do que trabalhando, mesmo após os projetos herdados da Redsuns chegarem ao fim e eu estar prospectando os meus clientes. Isso por dois motivos principais 1) divulgar o livro e 2) atender os leitores.

Problemas: Muita rede social e muito mais foco no meu livro do que no trabalho em si.

Como contornei: Não contornei, agi assim até iniciar na 4 Itil Tecnologia.

O que pretendo (pretendia) fazer: Separar diversos momentos ao longo do dia para cuidar do livro e não me dedicar especialmente à ele.

2017 – Hoje eu ainda me pego “scrollando” uma tela azul e branca, mas não posto quase nada e interajo muito pouco. Não entro mais em discussões que não vão contribuir com algo, exemplo: flamewars de frameworks ou linguagens de programação, tirinhas de humor e deboche… incrível ver quanto tempo eu perdia com isso e como isso não contribuiu com absolutamente nada em minha vida pessoal e muito menos na profissional.

Problemas: Ainda acesso o facebook e fico rolando aquela infindável página.

Como venho contornando: Tentando focar no trabalho primeiro.

O que pretendo fazer: Separar curtos momentos do dia para o ócio.

Família

2015 – Somente eu e minha esposa. Minha esposa trabalhava em horário comercial (era uma maravilha, hoje o horário dela simplesmente f0d3 com nossa rotina). As interrupções somente ocorriam por nada mais nada menos que os vizinhos. Os sem vergonha viam eu em casa e achavam que eu não tava fazendo nada, cansei de quantas vezes briguei com eles por causa disso, ainda teve uma situação em que um velho me disse: “Ué, você fica em casa o dia inteiro no computador, não tem nem porquê reclamar de me ajudar a cortar a grama do nosso condomínio”… sacanagem né?! Finalmente este ano nos livramos daquele lugar.

Problemas: Vizinhos sem a mínima capacidade de entender o que é home-office.

Como contornei: Me trancando dentro de casa, fechando todas as janelas com as cortinas. Parecia que não tinha ninguém em casa, foi a única forma.

2017 – A família aumentou e as interrupções também. Considero isso como a maior dificuldade que tenho hoje. Hoje somos eu, minha esposa, meu filho de 1 ano e um cachorro que late até pra própria sombra. As interrupções mais comuns que tenho são: bebê chorando, cachorro latindo, cachorro “pedindo” pra sair fazer as necessidades, mulher pedindo pra lavar a louça, varrer o chão, trocar a fralda, encher água na banheira pro banho do bebê, tirar o lixo, comprar algo urgente que falta pro almoço, estender as roupas no terraço, recolher as roupas do terraço, passar café, fazer papinha enquanto ela dá banho, limpar a sujeira do cachorro porque não levei ele pra fora, fritar o bife (ela inventa desculpa de que não sabe o ponto), temperar a salada (ela diz: tempera você que é fresco demais…), e mais algumas centenas de situações engraçadas e até coisas mais sérias com levar o bebê no posto de saúde às 6:40 da manhã depois de passar a madruga em claro com ele passando mal 🙁

Problemas: Interrupções, interrupções e  interrupções. Nada além de  interrupções.

Como venho contornando: Novamente diálogo e fone de ouvido. Explico dia após dia pra minha esposa que eu preciso trabalhar, quando ela pede algo eu tento negociar para mais tarde ou que ela faça em troca de eu fazer outra coisa depois. Com meu pequeno só que não tem negociação, largo tudo o que estou fazendo para o acudir em caso de choro, queda ou em caso de se machucar. Meu cachorro, este é complicado, late até pra própria sombra e é medroso que só. Enquanto eu trabalho ele fica praticamente debaixo da minha cadeira, é comum eu arredar a cadeira e passar por cima do rabo ou das patas dele, estou tentando ser menos amigável com ele e tocando ele pra longe sempre que possível. Além de tudo isso, o fone de ouvido sempre está à disposição para que eu consiga ter um pouco de concentração.

O que pretendo fazer: Vou tentar até o fim do ano esta situação, afinal de contas tenho tudo favorável: não perco horas de trânsito, não tenho de pagar estacionamento pra não deixar o carro na rua, não gasto em restaurantes (e consequentemente não passo mal por alguma comida não cair bem). Fazendo breves contas,  mais de R$1k que sobra (combustível: 200, estacionamento: 100, almoço: 300, coworking/escritório: 600) além de 1:30 a 2:30 a  mais pra trabalhar por não ter de enfrentar trânsito. Mas se as coisas não melhorarem com as interrupções eu terei de ir para um coworking no início do ano que vem. De momento penso em pegar um coworking apenas uma vez na semana só pra eu respirar um ar diferente, conversar com pessoas, sair um pouco de casa, estou estudando a possibilidade, vamos ver.

[Update 25/11/2017]

Dias atrás chegou ao meu limite e meu pequeno perdeu o quartinho dele. Calma, não sou tão malvado. Como mudamos recentemente, ele de fato ainda nem tinha seu quarto. Saímos de um sobrado grande para um apartamento bem menor, por N motivos. Aí o que um dia seria o quarto do meu filho agora é o meu escritório. Os dias são mais focados e consigo trabalhar muito mais pelo fato de me trancar no escritório, mesmo ainda com bagunças da mudança, ao invés de ficar na sala ouvido os desenhos do pequeno e a inevitável movimentação de uma casa com bebê.

[/Update]

 

Bem então é isso, esta é a minha experiência com home-office em dois momentos distintos de minha vida profissional, em 2015: tudo favorável, grandes projetos, grandes nomes no portfolio, dinheiro garantido; em 2017: considero meu Day 1, larguei tudo que tinha para me reinventar, reativei minha empresa de desenvolvimento, prospectei clientes, fechei contratos… mas ainda com um friozinho na barriga por não saber como será o dia de amanhã. Espero que esse meu relato ajude pessoas que estão nesse mesmo dilema de entrar para o home-office ou não e dou uma dica: Não é fácil! É muito mais cômodo trabalhar dentro de uma empresa (com horários definidos, local propício ao trabalho, salário fixo e na data correta), do que em home-office. Home-office exige muito, suga muito e se for de forma autônoma (não sendo contratado por uma empresa) as dificuldades se multiplicam pois você será o faz-tudo. Aí a dica de ouro: procure fechar parcerias. É isso que está sendo o grande diferencial e me dando motivação para continuar com minha empresa desta vez. Em 2015 eu queria fazer tudo, por não conseguir, rejeitei muito projeto bacana. Hoje com boas parcerias, consigo atender meu clientes em projetos completos, o que é minha especialidade eu faço, o que não é, repasso à parceiros.

 

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