Olá, sou Andre Cardoso, pai do Gabriel e da Melinda, desenvolvedor PHP, co-autor do livro TDD com PHP e também já fui palestrante tempos atrás. Hoje me dedico exclusivamente ao trabalho remoto/outsourcing com foco em Zend Framework (Laminas), no qual busco minha especialização e possivelmente, uma certificação.

Atualmente atuo no segmento de soluções corporativas, criando sistemas e APIs sob demanda, realizando integrações com APIs e webservices proprietários e buscando mais conhecimento na área de segurança da informação.

Mas as coisas não foram sempre assim. Senta aí, pegue um café (ou uma cerveja, se preferir) pois lhe conterei uma história.

O início

Comecei muito tarde no mundo da programação, com 24 anos. Isso fez com que ao longo deste tempo eu corresse com muito empenho atrás do conhecimento não apenas na linguagem PHP em si, mas em todo um conjunto de tecnologias, técnicas e metodologias que a contemplam.

Minha vivência com o PHP está nos primeiros passos com programação. Estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, técnico em informática formado pelo Colégio Estadual Professora Maria Aguiar Teixeira (CEPMAT) onde fui um dos alunos destaques nas turmas de informática inclusive ganhando troféu de destaque em pesquisa e desenvolvimento no ano de 2011. Na época trabalhava em uma empresa de equipamentos de controle de ponto e acesso que é líder no Brasil e vende para mais de 30 países das Américas e África. Lá tive a oportunidade de trabalhar com as linguagens Delphi, .Net e Java mas foi no PHP aprendido no curso técnico que veio a paixão e o destaque.

Como comecei a escrever

Um ano depois que me formei no curso técnico, em 2012, vi um ex-professor meu postando desafios de programação no Facebook e gostei. Criei este blog com o intuito de engajar estudantes e programadores. Como a aderência foi muito baixa, decidi eu mesmo começar escrever, resolver pequenos problemas e criar pequenos exemplos. Ganhei gosto pela coisa e segui em frente.

No final de 2013 e começo de 2014 escrevi no Tableless. Por lá escrevi muito pouco. Isso porque todos os posts tinham que passar por avaliação e revisão. A publicação poderia levar semanas e se eu postasse algo que fosse um assunto do momento, perderia o timing. Aí decidi continuar escrevendo somente no meu blog, mesmo atingindo um público infinitas vezes menor.

Um pouco dos meus trabalhos

Andrebian Soluções

Desde 2015 atuando como PJ, já passei por algumas empresas trabalhando presencialmente, assumindo cargo de liderança, no modelo de consultoria em desenvolvimento mas foi no conforto de minha casa que finalmente me encontrei. Desde 2017 trabalho esclusivamente remoto, apenas por alguns meses de 2018 me desvirtuei em um momento delicado de minha vida (principalmente financeira). Desde que migrei para PJ, em 2015, atendi diversas empresas, nas quais pude participar de projetos incríveis e marcantes para mim no quesito aprendizado. Foram projetos memoráveis, que ganharam o país nos seus respectivos segmentos, me trouxeram muita bagagem e maturidade em como lidar no processo ponta a ponta do desenvolvimento de software. Desde esta época que venho sendo responsável por planejamento, execução, implantação e suporte de muitos dos projetos que participei e isso me fez ver o desenvolvimento com um todo e até mesmo o cliente de outra forma, tendo segurança para dizer que o desenvolvimento de software é apenas o meio como resolvemos o problema, jamais a solução completa, como muitos pensam equivocadamente e que eu, sem a senioridade de hoje, também já acreditei.

Não tenho intenção em voltar para um escritório, talvez sendo o meu próprio escritório, apenas. Desde que estou atuando exclusivamente de forma remota, poupo tempo de trânsito, tenho proximidade dos meus filhos, participo das questões de saúde que ambos demandam, e trabalho muito mais. Quando digo que trabalho muito mais, é muito mais mesmo: minha média de trabalho mensal é de 200 horas contabilizadas no Toggl.

A 1h para ir, 1h para voltar e mais 1h de almoço trabalhando alocado, transformaram-se em cerca de 2h a mais de trabalho no dia de forma remota (preciso almoçar…). Sem contar que, por estar em casa, se não estou me sentindo produtivo, paro o timer, vou fazer outra coisa e volto quando me sinto melhor. Por vezes preferi dormir às 20h e levantar às 02h da madrugada para trabalhar, vi o sol nascer da janela do meu escritório enquanto minha esposa e filhos tranquilamente dormiam, fazendo em ter 100% de foco no que precisava. Tenho liberdade para trabalhar quando sou produtivo, juntando com uma carga horária elevada que costumo fazer, o resultado vem sendo entregas que até eu me surpreendo, tanto pela qualidade, quanto pela quantidade.

Four Itil Tecnologia

Fui coordenador de desenvolvimento para a startup que a empresa estava incubando, Dimmi App, atual Dimmi Auto. Lá iniciei e gerenciei o setor de desenvolvimento da empresa, que até minha entrada não existia. A empresa era representante comercial de soluções corporativas como Sophos, Soluções Microsoft, Consultoria em Zabbix, backup e segurança. Com a minha entrada a empresa dava seus primeiros passos na área de soluções próprias. Fiquei por 2 anos, montei uma equipe excelente e saí por questões ideiais.

Redsuns Tecnologia

Desenvolvi projetos de todos os portes para grandes clientes como HSBC, Renault, Fiat Florença, Concessionárias Le Lac, Fenabrave, Liquigás, Hotéis Slaviero, Correpar, Tecpar e diversas outras. Também desenvolvi projetos sociais como o site do Marcapasso do Rafinha Bastos e Leo Rapini, Oficinaria, 27 Brasil, Alô, terra? e também no desenvolvimento de várias Startups como: Giver (gestão de fidelidade de clientes), Ração programada, Kardo (Cartões personalizados), Bar de Taxi (Convênio com bares e taxistas), Empório Carmin (Um dos primeiros e-commerce especializado em  esmaltes do Brasil), Sala de aula Blue Five (microscópio virtual), Luciano Augusto (portal de e-learning), sem contar nos inúmeros e-commerces.

Além do meu trabalho

Sempre fiz as coisas com muita dedicação, tanto dentro da rotina de trabalho, quanto em projetos pessoais. Com isso surgiu a oportunidade de palestrar, aceitei. Já na primeira palestra, algo grandioso, já te conto.

Palestras

Comecei submetendo uma atividade para o FLISOL em 2014, fui aceito. Confesso que acreditava que somente pessoas referências em suas áreas ou por indicações poderiam palestrar, mas estava enganado. A comunidade de software livre é bem acolhedora. Depois disso submeti palestras em todos os eventos de software livre que rolaram em Curitiba. Só dei uma pausa nos anos de 2016 e 2017 depois do nascimento do meu primeiro filho.

O mais interessante é que, retornando à primeira palestra, no FLISOL de 2014, eu criei um material bem legal pra apresentar. Na verdade era uma oficina mãos na massa. O conteúdo que preparei pode ser baixado aqui. Na época tinha lido umas 3 vezes o livro de TDD com Java do Maurício Aniche, cara que é praticamente um doutor em testes. Usei bastante referência dele no meu material. Como tratava-se de uma obra literária e eu tinha abstraído muita coisa dela, decidi enviar um email ao mesmo pedindo autorização, 2 semanas antes do evento. Caso ele negasse, eu teria tempo pra bolar outro material. No email expliquei que tratava-se de um evento de software livre, que não envolvia custos para os participantes e que eu não ganharia nada com a atividade. Ao final faria a recomendação do seu livro.

O livro

O Maurício me respondeu de maneira muito célera com seu aval para eu aplicar o material exatamente do jeito que estava. Me parabenizou pelo que eu fiz, afinal de contas, era um e-book de quase 70 páginas, e fiz sem receber nada por isso, apenas por querer apresentar algo muito bom.

Quase uma semana depois ele me envia um email fazendo o convite para “traduzir” o livro dele para PHP. Disse que leu todo o meu material e que gostou muito da forma como me expressei. O susto foi enorme, eu, escrever um livro??? Sério??? Pedi um tempo à ele para avaliar a situação. Nessa hora passa mil coisas na cabeça, como: “Quem sou eu pra escrever um livro?”, “Tem gente bem melhor que eu pra fazer isso”, ou ainda “Será que dou conta?”. Nesse meio tempo li o livro dele mais 2 vezes, já imaginando como fazer as coisas em PHP. Por fim fiz um teste. Repliquei todo o primeiro capítulo em PHP, funcionou e eu percebi finalmente que dava conta do recado.

Aceitei o desafio. O legal é que o Maurício se colocou totalmente à disposição para caso eu precisasse. E precisei por algumas vezes. A Casa do Código não me apressou, nem o Maurício. Simplesmente deixaram eu trabalhar no meu tempo. Ao fim de 9 meses (um filho, não é mesmo?!) estávamos em vias de publicar. O nervosismo tomava conta, e a empolgação também.

Enfim, no dia 22 de Janeiro de 2015, uma Quinta-Feira, meu livro estava oficialmente publicado. Me senti muito orgulhoso.

Mais feitos

Durante meu curso técnico, fiz questão de deixar minha marca. Em 1 ano e meio de curso, participei de feitos (individuais e em grupo) que até hoje, quase 10 anos depois, ainda são usados como referência na instituição de ensino.

Pesquisa e desenvolvimento

O destaque em pesquisa e desenvolvimento se deu devido a um desafio que foi realizado envolvendo todos os alunos dos cursos técnicos do colégio em que estudava. Eram cerca de 60 pessoas divididos em 4 grupos. O meu grupo ficou em primeiro lugar e foi o que levou mais prêmios individuais. Não, não estou me gabando não, a equipe em que eu estava era nota 1000! Neste projeto além de todo o cronograma que o desafio propora (criação da estrutura física (cabeamento, modem, roteadores, rede elétrica), manutenção devida das máquinas conforme solicitado e desenvolvimento de um sistema para atender a empresa fictícia que fora criada) ainda implementamos um sistema de acesso para controlar a entrada e saída de alunos. Os equipamentos de controle de acesso foram gentilmente cedidos pela empresa que eu trabalhava na época, Henry Equipamentos e nos proporcionou uma experiência até hoje única realizada no curso técnico em informática que existe na instituição desde 2005. Foi um show! Até hoje não ouvi falar de outra equipe que conseguiu feito de tal proporção no período de apenas 5 dias, de Segunda a Sexta-Feira incluindo a apresentação onde fomos de fato vendedores de nossa empresa. Chegamos com vestimenta social, maletas (como bons executivos que nos tornamos no desafio rs rs) e a apresentação foi um show à parte.

Projeto de conclusão de curso

Com relação ao destaque no projeto de conclusão, ouço até hoje os professores comentarem que desde o início do curso na instituição, em 2005, nunca viram um trabalho com tanto profissionalismo. Mérito é claro do Roberto Teixeira que guiou todo o percurso enquanto eu focava no desenvolvimento do sistema, fazendo a minha parte da documentação somente nos 3 últimos dias antes da apresentação. Lembro-me que na época faltei 3 dias seguidos na empresa para poder finalizar nosso trabalho, o que deixou meu encarregado e gerente muito chateados comigo. No entanto valeu a pena. Acreditei que seria demitido por isto, mas eles compreenderam minha situação e isto sou grato até hoje pois além de me deixarem faltar 3 dias seguidos sem sequer me dar uma advertência por escrito. Ao longo de todo o meu curso pude em momentos mais tranquilos estudar e desenvolver meus projetos em horário de trabalho, no intervalo de um atendimento e outro. No dia da apresentação eu e o Roberto passamos o dia todo em minha casa já vestidos com roupa social para somente imprimir o trabalho e correr para a apresentação. Assim que terminamos, por volta de 18h40min o Roberto correu para a casa dele para imprimir e às 19h25min estávamos nós indo ao auditório expor nosso trabalho.

Laboratório de informática

Durante as férias de Julho de 2011 reunimos cerca de 10 alunos e 2 professores para montar a estrutura cabeada do laboratório de informática antigo do colégio. Isto acabou se tornando um evento muito maior do que imagináva-mos pois em meio aos alunos existia um perito em eletrônica e elétrica (Rubens) e outro em infraestrutura de redes (Roberto Teixeira) além é claro do professor Fernando Amaro que é responsável pela rede da Sanepar em 399 municípios do estado do PR e mais cerca de 10 em estados vizinhos.

A simples reestruturação do cabeamento do laboratório resultou em um evento onde até os professores tiraram dinheiro de seus bolsos para comprar tinta, materiais para acabamento e equipamentos. O que fizemos enquanto os outros alunos estavam descansando foi dar um novo laboratório ao colégio. A obra ficou com qualidade superior ao de muita empresa pois estávamos lá por gosto e não por dinheiro algum. Durante muito tempo ouvi dizer que autoridades da cidade e do estado questionaram qual a empresa que realizou tal laboratório para uma possível licitação mas infelizmente foram “meros” alunos de um curso técnico que muitos empresários e profissionais de RH com toda certeza torcem o nariz quando eu falo que é ensino público.

Quase terminando, só uma curiosidade

Uma pergunta que sempre me fazem: por que andrebian? (lê-se andrebían)

Bem, esse nick surgiu um belo dia em que eu estava criando uma conta no Viva o Linux e precisava de algo único que me identificasse. O ano era 2008 e, estava eu há apenas 2 anos utilizando o Linux. Comecei com o Kurumin 6 em um pc aos trancos e barrancos, após dar uma “tunada” nele para que o Kurumin pudesse rodar pois, na época minha super máquina possuía incríveis 128MB de RAM e o Kurumin exigia 256… enfim, isso foi em 2006, eu havia dado um salto e começado a utilizar o Debian Etch (4.0) que havia comprado em uma banca de jornal com uma revista. Como o caminho no Debian foi muito mais árduo que no Kurumin então precisei de um suporte da comunidade e, voltando à pergunta, andrebian surgiu da junção de Andre + Debian no momento da criação da conta no Viva o Linux. That’s all folks!

Concluindo

Afirmo frente ao que apresentei que pouco importa onde você estuda, onde se formou ou trabalha. Esqueça rótulos, o que realmente importa é a intensidade com que você aproveita as oportunidades que lhe dão. Antes de me tornar desenvolvedor fui empacotador em supermercado, cartazista (cara que faz os cartazes de preços à mão), repositor, auxiliar administrativo e servente de pedreiro. Isto mesmo, quando me mudei pra Curitiba em 2009 infelizmente minha carteira de trabalho ficou na empresa em que eu trabalhava em União da Vitória – PR pois me mudei pra cá enquanto ainda estava de férias… ah tá, pera, vou falar sobre isso.

A mudança

Minha mudança foi realmente A mudança. Éramos eu eu minha esposa, ela correu de atrás de algumas vagas de emprego por perto da casa do meu pai, onde viemos passar as minhas férias. Ela estava desempregada. Eu não consegui nada, pois os trabalhos que eu procurei como cartazista pagavam menos que onde eu morava, muito menos. Tudo que minha esposa conseguiu foi uma promessa de emprego, o que já nos bastou visto que a casa já tínhamos conseguido um cantinho nos fundos da casa do meu pai temporariamente. Voltamos para União da Vitória, arrumamos nossa mudança e duas semanas depois, ainda no mês de Outubro de 2009 nossas coisas e nós estávamos desembarcando em Curitiba pra ficar.

Na semana seguinte, com nossas coisas todas organizadas minha esposa foi cobrar o emprego que a fora prometido. A dona da loja disse que precisava urgente e teve de contratar outra às pressas. Pois bem, ela não desanimou e menos de uma semana depois já estava empregada em outra empresa. Como minha carteira de trabalho ainda estava na empresa que eu trabalhava em União da Vitória – somente foi dado baixa no mês de Novembro após encerrar minhas férias –  tive de trabalhar em algo para me manter.

Com isso surgiu a oportunidade de trabalhar com meu pai na área de construção civil. Na época, era um ótimo negócio (se o gestor fosse bom, é claro). Eu já mandava muito bem em diversas atividades de supermercado, fui um empacotador muito bom, excelente repositor e, depois de 2 anos trabalhando exclusivamente com isso, tava me tornando um bom cartazista também. Mas na área de construção eu era um zero à esquerda. Então rebootei o sistema (he he), iniciei como servente de pedreiro.

Trabalhei com isso de Outubro de 2009 a Setembro de 2010. Durante todos estes trabalhos que passei, sempre levei lado a lado a curiosidade pela informática, pesquisando, fuçando, perdendo todos os dados de meu computador N vezes, minha esposa que o diga pois quantas vezes perdi fotos nossas de anos juntos… Enfim, sempre fui curioso até que encontrei o curso técnico em informática pertinho de casa.

As coisas eram difíceis

Engana-se quem pensa que viemos para cá porque teríamos ajuda do meu pai. A ajuda que tive dele foi um espacinho em sua casa durante uns 2 meses e um trabalho temporário que me possibilitou correr de atrás de meus objetivos. O restante foi tudo fruto do meu esforço e de minha esposa que sempre batalhou muito e por várias crises financeiras que passei enquanto que servente de pedreiro ela assumiu as despesas da casa (aluguel, luz, água, alimentos e tudo mais). Infelizmente como servente de pedreiro nem todo dia era possível trabalhar, dias de chuva por exemplo. Com isso era um dia a menos recebido e, como muitos devem saber, em Curitiba o que menos temos é sol.

Certo, mas… e daí?

Por que eu estou contando tudo isso aqui? Simples, porque gosto de escrever (mais do que ler, diga-se de passagem), talvez sirva até de inspiração para alguém. Não quero me gabar a ninguém, apenas expor alguns detalhes da minha jornada até aqui e quem sabe isso sirva também de lição para outras pessoas que acreditam não ser capazes. Reforçando meu apelo, esqueça rótulos, pouco importa se você se formou na faculdade top ou a “uniesquina”… Se você não mostrar uma coisa boa profissionalmente, possui apenas um canudo. Conheço muitos assim, enchem o peito pra dizer que se formou na universidade X e não sabem coisa alguma enquanto um cara que se formou na famosa “uniesquina” ou num curso técnico dá show de profissionalismo.

É você quem faz o profissional não a instituição em que você estudou ou a empresa em que trabalha.

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